Dando continuidade a série Mendigos, malabaristas, transeuntes e outras criaturas de Curitiba, segue um breve relato de outra conversa um menino, um jovem, um malabarista. Para sobreviver na rua por conta própria deste os nove anos de idade de fato este menino é um artista. Foi ali na popular rua da ferinha, no largo da ordem, que eu encontrei pela segunda vez. O mesmo jovem, o qual embora me parecesse um bocado apressado, eu não hesitei em cumprimentar e convidá-lo para bater um papo. Sim, ele me reconheceu. Nem me recordo sobre o que conversávamos quando chegou outro menino. Este era bem pequeno, estava eufórico, alegre como uma criança e com as mãos para trás indagava ao amigo: “- chuta quanto? chuta quanto uma parada só?” repetia eufórico o menino. “Chuta quanto numa parada só?”. Sim, (menino de rua) + (semáforo) + (malabaris) = ?E aí, alguém consegue certar o x da equação?
Eu não conseguia falar nada, apenas observava estático à cena. O outro garoto não quis arriscar um palpite, apenas perguntou: “- Quanto, quanto?”. Sorrindo alegre e entusiasmado ele revela: “- doze, doze pila numa parada só!”. “E pode tirar o zóio que é meu!” dizia ele hora mostrando hora ocultando as pequenas mãozinhas sujas que envolvia algumas notas muito bem amassadas, talvez até como uma forma de protegê-las.
Eu continuava estático, ambos estavam sorrindo, o pequenino parecia muito alegre, mas a maneira como agia às vezes protegendo o dinheiro já demonstrava que pequeno já havia descoberto a lei da selva. Diante daquela cena eu só consegui perguntar mais duas coisas me dirigindo aquele garoto maior:
- Quantos anos ele tem?
- Cinco.
- Ele fuma também?
- Fuma, fuma. Agora deixa eu ir por que eu acabei de comprar um bagulho ali e se a policia me pega eles me batem e tomam.
2 comments ↓
Lamentável isto . . .
As crianças hoje em dia estão vivendo menos do que costumavam viver, mas crianças com apenas cinco anos se envolvendo no mundo das drogas é complicado . . .
A feirinha sempre tem alguma coisa pra nos mostrar, nem sempre o que gostaríamos de ver.
E fui no show do Teatro Mágico, apaixonei.
E sabe-se lá como te achei por aqui.
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